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Blog AndersonBrandao.com.br

quarta-feira, 29 de março de 2017

Como a gordura prejudica o cérebro, e como o exercício ajuda a combater isso

Fonte: Well Blog – Gretchen Reynolds
Tradução: Renata Souza

A obesidade pode ter efeitos prejudiciais ao cérebro e o exercício pode combater muitos desses efeitos negativos, até mesmo quando a perda de peso é pouca, de acordo com novos experimentos neurológicos realizados em cobaias. Apesar de ainda ser impossível saber se os cérebros humanos respondem da mesma forma à gordura e à atividade física, essas descobertas são mais um motivo para sair de casa e se exercitar.

Já se sabe que a obesidade pode alterar a cognição em animais pois experiências com ratos de laboratório mostraram que animais obesos tinham memória e habilidades de aprendizados piores do que a dos animais com peso normal. Aqueles acima do peso, por exemplo, não reconheciam objetos e não se lembravam da saída do labirinto que haviam treinado várias vezes.

Porém, os cientistas não entendiam como o peso afetava o cérebro. Eles sabiam que células de gordura produzem substâncias que liberadas na corrente sanguínea vão para outras partes do corpo, como músculos e coração. Ali, tais substâncias dão inicio a processos bioquímicos que causam inflamações  que, em algumas situações, podem levar a uma saúde fraca.

Muitos pensavam que o cérebro estava imune a esses efeitos prejudiciais por não ter células de gordura e ser protegido por uma barreira sangue-cérebro que geralmente impede a entrada de moléculas indesejáveis. Contudo, estudos recentes demonstram que a obesidade parece enfraquecer essa barreira, deixando-a permeável. Em animais obesos, por exemplo, as substâncias liberadas pelas células adiposas podem passar a barreira e chegar ao cérebro.


As consequências dessa situação foram objeto de estudo em um novo experimento neurológico feito por pesquisadores da Universidade Georgia Regents, em Augusta, e publicado  no Journal of Neuroscience. Nesse estudo os cientistas selecionaram ratos que foram alimentados para ficarem obesos. Os pesquisadores descobriram que quanto mais os ratos acumulavam células de gordura, mais o sangue deles mostrava um aumento da interleucina 1 - uma substância criada pelas células adiposas e conhecida por causar inflamação.


Nesses ratos a interleucina 1 migrou para a cabeça, passou pela barreira sangue-cérebro e entrou em áreas como o hipocampo, responsável pela aprendizado e pela memória. Ao examinaram o tecido neural desses animais os pesquisadores descobriram a presença de altos níveis de interleucina 1 junto com marcadores de inflamação. Muito embora a inflamação represente uma resposta saudável à invasão molecular, ela causa danos caso persista.

Esses ratos também apresentaram níveis extremamente baixos de um marcador nbioquímico associado a uma função sináptica saudável. Sinapses são estruturas que conectam um neurônio a outro e passam mensagens entre si. Sinapses saudáveis respondem a pedidos do cérebro diminuindo ou acelerando as mensagens, mantendo o tráfego neural sob controle. Os níveis baixos do marcador de sinapses saudáveis sugeriram para os pesquisadores que, nos cérebros inflamados de ratos obesos, as sinapses não funcionam corretamente e as mensagens entre os neurônios ficam paradas, lentas ou estremecidas.

Essa possibilidade surgiu após testes subsequentes de memória e raciocínio em alguns ratos que continuaram obesos. O desempenho deles foi péssimo. Porém, não se sabe claramente se o excesso de células adiposas é a causa das mudanças no cérebro desses animais. Então, para isolar o impacto da gordura, os pesquisadores removeram cirurgicamente a maior parte da gordura desses ratos. Após a recuperação, os ratos que sofreram essa intervenção quase não apresentaram interleucina 1 na corrente sanguínea.

Por outro lado, ao implantar as células adiposas preservadas nos ratos magros eles quase que imediatamente ficaram mais fracos e tiveram um desempenho pior do que o previsto nos testes cognitivos, apesar de outros aspectos da vida deles se manterem os mesmos.

Os resultados convenceram que as células adiposas tinham efeito primário na queda cognitiva dos ratos. Porém, esses resultados tem pouco valor prático em humanos, já que até a menor lipoaspiração realizada em humanos removeria mais gordura do que aquela removida cirurgicamente dos ratos. Então os cientistas decidiram por algo menos invasivo, o exercício. Eles reuniram o maior número de ratos obesos e começaram uma rotina  diária de 45 minutos de exercício na roda de corrida. Os outros ratos continuaram sedentários.

Após doze semanas, os ratos que corriam pesavam o mesmo que aqueles que não se exercitavam. Porém eles perderam uma enorme quantidade de gordura na região abdominal,  ganharam massa magra e se saíram melhor no teste cognitivo. Outro resultado mostrou que o tecido da região do hipocampo apresentava altos níveis do marcador ligado a sinapses saudáveis e pouca inflamação, sugerindo que a corrida normalizou a função do hipocampo, até mesmo naqueles que nasceram para serem gordos e continuaram pesados.

É claro, esses estudos foram feitos em ratos não em pessoas cujos cérebros podem responder de maneira diferente. Mas é tentadora a ideia de que os humanos podem responder da mesma forma e, por isso, os pesquisadores aconselham o de sempre:  saia de casa e se exercite, especialmente se você esta acima do peso. Converse com o seu médico sobre um programa seguro, seja fiel a essa rotina e, assim, o peso extra não causará danos à sua mente.

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