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Blog AndersonBrandao.com.br

terça-feira, 9 de outubro de 2018

Passe fome e engorde. Porque o modelo Biggest Loser não funciona



por Anderson Brandão e Renata Souza

O reality show norte-americano Biggest Looser, que já teve mais de 15 edições,  mexe com o imaginário de uma população obesa, ansiosa por  perder peso mas frustrada por já ter tentado diversas abordagens, desde dietas até remédios, sem sucesso. Para os competidores participar do programa, que ganhou versões em vários países (inclusive no Brasil - O grande perdedor ou Quem perde ganha), é a chance para mudar a vida.

O que vemos no mundo atual é de uma lado uma população cada vez mais obesa e  sedentária (em 2015 mais da metade da população do Brasil estava com excesso de peso) e, de outro lado, a indústria do emagrecimento que a cada momento surge com uma nova fórmula mágica, a promessa da perda de peso rápida e para sempre.
No programa The Biggest Loser os  participantes são reunidos em um local afastado de suas famílias e submetidos a um modelo extremo de exercícios (uma média de 7 horas por dia) e uma dieta restrita de 1200 a 1500 calorias por dia. É bem verdade que todos os participantes são submetidos a exames e tem acompanhamento médico mas a mensagem do programa é clara: para emagrecer basta comer menos e se exercitar mais. A bem conhecida e difundida estratégia da balança energética negativa ou modelo matemático do emagrecimento. 

Esta estratégia tem tudo para dar certo e num primeiro momento é o que parece acontecer. Porém, é esquecido que a obesidade ou sobrepeso não são apenas condições que a pessoa não consegue reverter por falta de força de vontade. Atualmente, essas condições são consideradas doenças e é assim que devem ser tratadas devido aos inúmeros transtornos e doenças associadas que as pessoas podem desenvolver. Também não é considerado que o corpo humano responde aos estímulos e situações a ele impostas. Exemplo, quando estamos num ambiente quente o nosso organismo transpira (libera o suor) para regular a temperatura corporal e evitar superaquecimento.

No processo de emagrecimento difundido pelo programa The Biggest Looser o que acontece é uma rápida perda de peso e uma disfunção metabólica por conta dessa abordagem coma menos e exercite mais.

O corpo humano gasta energia para se manter, para realizar todas as suas funções básicas, o chamado metabolismo basal. Ou seja, uma pessoa gasta em média 2000 calorias por dia para realizar suas funções vitais básicas e, quando essa pessoa ingere mais do que 2000 calorias seu peso aumenta. Em um raciocínio linear, o modelo matemático de emagrecimento é mais lógico já que se comer mais engorda, então comer menos vai emagrecer. 

O corpo humano não entende dessa forma e quando a pessoa começa a comer menos ela também passa a gastar menos calorias. Ou seja, aquelas 2000 calorias passam para 1500 calorias e a tendência é diminuir ainda mais quando a pessoa começa a se exercitar, ao ponto de ela pode ficar sem comer e mesmo assim não perder peso, o que resulta em um metabolismo lento.

É exatamente o que aconteceu com os participantes do programa norte-americano. Eles participaram de um estudo científico (publicado esse ano no periódico ''Obesity'') em que foram acompanhados durante 6 anos após o término do programa. O estudo demonstrou que dos 14 participantes, 13 ganharam peso e tiveram uma diminuição em seus metabolismos basais. O ganho do peso é resultado da diminuição do metabolismo (uma diferença de 800 calorias a menos por dia), afinal eles agora estão no modo de fome em que se come menos mas também se gasta menos e voltaram a engordar porque quando comem mais a energia que estão gastando é tão baixa o que acarreta o ganho de peso.

A verdade é que não existe fórmula mágica: as pessoas obesas ou com sobrepeso devem ser olhadas com mais atenção e principalmente deve-se entender que o emagrecimento vai muito além do que somente a força de vontade.

As estratégias de emagrecimento que prometem resultados rápidos, milagrosos, estão fadadas ao fracasso por  focarem as calorias consumidas. Para um processo de emagrecimento de sucesso o ideal é focar nas calorias gastas, ou seja, aumentar o metabolismo basal.

Isto pode ser conseguido adotando uma dieta voltada para esse objetivo (por exemplo, dietas hiperprotéicas já que aumentam a termogênese corporal) e também com exercícios físicos.  Nesse caso, os exercícios de força (musculação) são fundamentais uma vez que promovem o aumento da massa muscular que, por se tratar de um tecido ativo (que gasta energia), aumentam o metabolismo.

A dica é procurar orientação de profissionais sérios, desde um professor de educação física para orientar na prática saudável de exercícios, um nutricionista capacitado para prescrever uma dieta sustentável e se for de interesse, realizar o acompanhamento do seu metabolismo com um médico esportivo através de exames de calorimetria.

Gostou? Clica aqui https://goo.gl/rEsBQw e faça um chat comigo. 

Fothergill et all, Persistent metabolic adaptation 6 years after “The Biggest Loser” competition. Obesity, 2016.

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